Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

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Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

Mensagem por Admin em Qui Jul 20, 2017 1:40 pm

Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar.
 
Não era mais tão fácil ficar escondido por ai, por mais ermo que os lugares fossem. A humanidade já havia evoluído o bastante para ter olhos em cada canto do planeta, e muitas vezes estes olhos se deparavam com M’Kai de relance ou o capturavam em alguma câmera. Essas imagens registradas estavam sempre criando histórias mirabolantes nos locais em que o marciano escolhia para repousar, tornando sempre inviável permanecer neles. Já até o confundiram com o Pé-Grande!
 
Ficar em florestas já não era mais uma opção, pois os animais sempre reagiam a sua presença de um modo que acabava alertando biólogos e rangers. Em montanhas também não era uma boa ideia, por algum motivo muitos humanos preferem se isolar das sociedades e o terreno montanhoso acaba sendo sua primeira escolha.
 
Após muito andar sem nunca encontrar um lugar adequado para chamar de casa, o destino finalmente sopra a favor do marciano, na forma de um vento frio e noturno carregando uma velha folha de jornal que atinge sua face enquanto ele está distraído e pensativo. É por um acaso que ele decide ler o que estava escrito na folha, algo que lhe parece bem interessante:
 
“Governo gasta milhões com usina elétrica no meio do nada, e simplesmente abandona. O motivo? Confidencial. Porém, empregados relatam que mortes ocorriam no local devido a ataques de animais estranhos e desconhecidos. Mesmo o governo tendo lacrado o lugar completamente, moradores da cidadezinha mais próxima continuam relatando ataques corriqueiros de serem híbridos entre rato e homem, capazes de dar choques potentes em suas vítimas. E então? Verdade ou lenda?”
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Re: Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

Mensagem por art05 em Dom Ago 20, 2017 1:36 pm

Parte 1 - Bem vindo


Era um lugar bem arborizado no norte entre o Canada e os Estados Unidos, existe uma pequena cidade cercada de florestas e minas abandonadas, eu estava vivendo em uma  mina abandonada, pelo menos na entrada de uma delas, ela era grande e extremamente instável, não era seguro entrar, ficar isolado sempre fez parte do que sou, mas antes, isolado estava por maquinas, de todos os tipos e formas, um mundo criado por minhas ideias, hoje não tenho mais nada, nada fora as lembranças e as mesmas ideias somadas a algumas novas, caminho num mundo ao qual sempre observei da tela do meu computador, irônico pois observava  o meu através de uma tela também, e apesar de conhecer cada canto daquele lugar, nunca andei lá tanto quanto ando aqui, mas se minha presença era ausente em meu planeta, aqui ela parece ser indesejada, mesmo os animais sentem que sou "de fora", perdi a conta de quantos Rangers passaram vistoriando esse lugar, essas redondezas, relatos de criaturas estranhas uns dizem, outros vem em busca do tal sasquatch, e até comemoraram quando pegaram o brilho de meus olhos no meio da noite em uma foto pensando que era ele, ao menos esses grupos que caçam essa criatura mítica deixam frutos para servir de iscas, não sei dizer se eles se interessam por frutas exóticas nessas redondezas mas ao menos servem como comida para min, uma vida de sobrevivência, algo estranho para alguém como eu, mas ao menos eu consigo ver a grandiosa nuvem de estrelas que se estende pelos céus a noite, nossa galaxia era a unica companhia que esse cientista precisava no frio da noite, algo que também observei muito, e ainda observo hoje, mas não para descobrir, mas pela primeira vez, observar sua beleza.



Me incomodava estar vivendo como um selvagem, mas para quem está sem um planeta, estar ali era ótimo, mas estava longe de ser seguro, de dia andava ou voava como um animal, a noite me escondia, usava jornais e folhas para me aquecer, eis que então em uma noite de vento, um dos pedaços me chamou a atenção, uma matéria sobre uma usina, recentemente, nessa mesma cidade aqui perto, surgiram  relatos de casos de ataques de animais estranhos, não vindos da floresta, o que me deu um certo alivio pois não teria grupos de caça atras de min agora, mas vindo de  uma usina, uma usina relativamente nova, mas que foi abandonada a alguns anos, era uma usina cara pelo que diz o pedaço de jornal que o vento esfregou em minha cara, essa região possuía duas ou três minas de carvão abandonadas, mas o governo parece que fez essa usina como uma usina nuclear ao julgar pelas chaminés na foto da fabrica abandonada em uma clareira, era estranho pois mesmo animais evitavam a área, o governo havia isolado aquela area por motivos de segurança, mas fora uma pickup branca da guarda florestal rondando de hora em hora, ninguém vistoriava o local, era estranho sim, uma usina cara dessas abandonada assim, ex-funcionários cujo a identidade havia sido protegida, seja para a segurança deles ou preguiça do repórter ao criar a reportagem para caso isso seja uma farsa, dizem que haviam atividades estranhas no lugar e mortes misteriosas, projetos assim sempre levantam todo tipo de rumor e ali não era exceção, esses casos eram sérios e alguém precisava fazer algo caso fossem reais, não era meu dever, mas eu devo ir ver, estou no planeta dessas pessoas, tenho que fazer minha parte para recompensar pela estadia, por mais conturbada que seja, não sou o herói que precisam, mas pelo menos desta vez, alguém tinha que fazer alguma coisa, mesmo esse não sendo meu lugar, esse mundo agora era mesmo que por um tempo, meu lar.



Na noite seguinte, uma noite de muito frio e de muitas nuvens mas nenhum vento, me preparo para ir, agora com a forma de um corvo, sentado no galho de uma arvore, olho uma ultima vez a direção a seguir, tudo parecia quieto,  respiro fundo e levanto voo, dos céus observo a cidadezinha a noite, nem uma alma viva caminha nas ruas, iluminadas pelas fracas luzes de rua, que eram como fracas esferas de luz diminutas na densa neblina no meio da noite, entre uma e outra nada a não ser a escuridão, essa cidade estava entre min e a usina, então devo cruzar esse lugar, era uma pequena cidade, mas quando se é do tamanho de um corvo, acaba virando até que uma boa jornada, mas dessa vez, pode ser pelo inverno que se aproxima, ou pelo fato de ser uma noite fria no meio da semana, mas nada a não ser o bater de minhas asas vinha aos meu ouvidos, o silencio me sufocava, o lugar era pacato, mas naquela noite, parecia completamente abandonado, depois de passar por uma parada de caminhões, ironicamente sem nenhum caminhão estacionado, sigo voando rumo a escuridão da noite entre as arvores, sabia que essa parada era a ultima construção antes de sair da cidade, apesar da estrada já ter ficado para traz, sabia que essa usina ficava nessa direção, havia uma estrada que levava para lá mas ela ficava a quilômetros a frente, do outro lado da usina segundo o mapa de estradas local, nesse rumo que sigo, por todo lado era só arvores, pinheiros até perder de vista, mas ao contrario de outras noites, nessa região não escuto um ruido, nada, nem mesmo o menor dos ruidos das menores criaturas da noite, a neblina era densa e o frio rasgava minha pele, mas depois de um tempo no limbo e no meio da escuridão e do mar de arvores, surgem torres no horizonte, erguiam-se como fantasmas gigantes no meio da noite, simbolizavam que a usina estava perto, cortando através da neblina e quase tocando as baixas  e frias nuvens, logo as arvores terminam, e uma parte com mato toma o lugar, mato bem alto, uma pessoa poderia ficar em pé ali e não ser vista, pela a altura do mato pela densa neblina e pela a escuridão do lugar, melhor eu voar até a usina, um matagal que se estendia por centenas de metros desse jeito não era nada convidativo, corto o lugar pelos céus, olhando ao redor, de um lado florestas, do outro, mais florestas, realmente ninguem vem aqui a anos, parecia vazio, frio, escuro e vazio.



Cruzo o matagal pelos céus, a construção se erguia a frente a centenas de metros de distancia como um complexo grande, escuro, mas da pra ver estruturas grandes e pequenas se destacando na noite nublada e sem luar, mas nem um ruido, nem mesmo o som dos morcegos que adoram este tipo de lugar, nada, minha respiração e o bater eventual de minhas asas pareciam fazer um estardalhaço sem precedentes naquele lugar, tendo apenas a solidão e o frio como acompanhantes de viagem, eu reflito sobre essas criaturas, elas me lembram de um projeto antigo meu, um onde eu queria desenvolver um organismo vivo ativado por programa, mas eu só queria um e mesmo com um único individuo eu devia tomar todo tipo de precaução, mesmo se eu quisesse criar um exercito eu não poderia criar organismos férteis para evitar que se tornassem uma praga e um perigo em potencial, algo que imagino que seja lá quem criou essas coisas se forem reais, não levou em conta, minha mente vai longe tão longe quanto eu naquele lugar, era eu um animal pequeno voando ali  e ali não era meu lugar, minha visão se ajusta um pouco e quando olho para baixo o matagal abaixo deu lugar a asfalto rachado, para  traz uma velha grade segurava o mato em vão,  a frente, dezenas postes de luz apagados, um deles uso de poleiro para observar o lugar e pela primeira vez respiro com certa tranquilidade, era um lugar abandonado, aquela era a parte de traz da usina que se erguia como um conjunto de blocos gigantescos escuros repletos de tubos e buracos, ali ainda havia vigas pesadas soltas no lugar ao aguardo de sua instalação, um velho caminhão daqueles de muitas rodas para carregar cargas muito pesadas fazia de um dos cantos o lugar de seu repouso final, nada a não ser ferrugem, abandono, no meio do silencio intocado algo cai com violência, lançando pela noite o som de uma pancada de metal, mas que cruza meus ouvidos como uma lança e acelera meu coração de novo, olho ao redor imaginando coisas, mas nada encontro a não ser mais ruína, decido então sair do lugar e ir para frente da usina tudo estava em tons de cinza escuro e preto absoluto não havia luzes ou sinais, levanto voo mais uma vez, mais alto para cruzar o edifício por cima, as chaminés se erguiam como colunas sustentando o céu, abaixo de min o teto da usina se estendia, intermináveis metros de concreto, alguns lugares haviam cedido mas não dava para ver o interior, pareciam portas para o abismo do esquecimento, o mato que circunda esse lugar começa a me parecer um lugar mais acolhedor.



Depois de longos minutos cruzando o complexo por cima, chego a parte da frente, ali mais postes de luz apagados. no asfalto alem de mais rachaduras por onde a grama sai para tentar reclamar o lugar, havia marcas de tinta, era um estacionamento, pouso em outro poste, olho ao redor  e observo o lugar, a usina era enorme e tudo parecia feito para durar, ali em frente parecia ser o centro administrativo, um pequeno prédio na frente da usina com 5 andares, muitas das janelas estavam lacradas ainda, poucas quebradas, e em uma vaga próximo de uma entrada com porta dupla selada por placas de compensado estava um carro, uma suv cinza, com os pneus murchos e marcas de abandono, a placa mostrava que devia ser de outro estado, olho ao redor  e voo até ele, pousando no capô do carro, dentro dele não havia nada fora bancos onde a tempos não sentavam alguém, a sujeira no painel mostrava que a tinha ninho de algum pequeno roedor nele, o carro estava abandonado mas não a tanto tempo como a usina, assumo minha forma etérea, e entro no carro,  me posiciono no banco e assumo minha forma normal e olho dentro dele, fuçando no porta luvas um velho jornal no meio de papeis e documentos do carro, o jornal era da época que a usina foi fechada, e os papeis parecem ser algum tipo de credencial, pelo que diz o jornal parece que seria aberta uma investigação, pelo visto não deu em nada, pois nem disso se escuta, mas o que está acontecendo aqui...



Viro um fantasma de novo e saio do carro, me colocando em pé ao lado dele e observando a usina, sempre tentei me manter calmo por todo esse momento me preocupar não resolveria meus problemas tendo a resposta ou não, mas a partir daquele momento, senti um aperto no peito, nervoso talvez? Eu estava em minha forma mais humanizada, o ambiente era pesado, o compensado na porta parecia solto, alguém havia entrado pelo visto, me aproximo com calma caminhando lentamente, estava em forma etérea ainda, mas isso não significa que tenho coragem para saltar num vulcão e sair caminhando feliz, fogo é um péssimo exemplo alias... O compensado no buraco onde era a porta tinha algumas marcas de arrombamento, era claro que alguém arrancou e recolocou, respiro fundo o pesado ar ao redor do lugar e cruzo a placa de madeira, já dentro do edifício, na recepção, abandonada por completo, em cima de uma mesa um velho computador que com certeza já viu dias melhores, no chão papeis misturados a sujeira e mofo em uma fina e larga possa de água suja que se estendia pelo lugar, ao redor tinha portas a lugar algum com espaços para placas com nomes que nunca foram preenchidos, ali perto uma escadaria coberta de escombros e a minha frente um longo corredor, e num dos cantos cadeiras velhas e amontoadas, o silencio tomava o lugar enquanto meu coração pensava em acelerar, decido então subir aos andares mais altos, a escadaria estava bloqueada, nada que eu não possa passar, caminho lentamente pela recepção seguindo para a escadaria , com respiração lenta e calma, calma essa quebrada pelo guincho seguido de passadas rápidas que ecoaram pelo corredor, aquilo prende minha atenção e minha respiração, mas esse devia ser só um roedor, mas decido então caminhar seguindo para o lugar de onde parecia ter vindo esse ruido, no caso o longo corredor, caminho lentamente, um breu completo, cujo silencio era quebrado apenas por ruídos de gotas que pingavam de algum ponto ao redor, o corredor era extenso, parecia interminável, a escuridão bloqueava minha vista, era como um muro que se afastava a cada passo dado,  depois de algum tempo uma porta surgia, já havia passado por 3 delas, mais uma gota atinge uma possa d'água próxima, o som corre pelo corredor, digo olhando o vazio perdendo a esperança de qualquer sucesso:



-Nada, não tem nada aqui.



Isso me acalma, de fato o lugar estava abandonado mas sigo em frente pelo corredor, mofo, paredes descascadas e todo tipo de marca estranha enfeitavam piso, paredes e teto, caminho passando por mais alguns metros, depois de mais duas portas, paro novamente o forro havia caído revelando cabos e tubulações velhas no teto, ao redor nada a não ser o silencio e o gotejar e minha respiração, assumo minha forma solida, estava seguro agora, afasto um pedaço de cabo que estava pendurado no meio do caminho entre vários outros e passo por cima dos escombros, a frente mais portas e no fim uma porta grande, decido então seguir, mas não consigo pois algo prende minha capa, viro rapidamente e vejo que minha capa havia sio presa por um pedaço de metal no chão, solto minha capa, não era nada, nada até algo sair dos escombros e agarrar minha perna, olho e rapidamente e vejo que era uma mão coberta de feridas  com garras nos dedos, me prendia com força, antes que eu faça qualquer coisa, um ser se levanta dos escombros, uma criatura que  se ergue velozmente lançado uma nuvem fumaça e entulho em uma explosão de fúria por todos os lado e me  joga com violência através de uma das paredes de gesso, levanto engasgado com a poeira e surpreso de uma certa maneira olhando aquilo, aquele ser possui um corpo esguio, membros longos e de frágil aparência, as sombras e a fumaça me impediam uma visão melhor do que fosse aquilo, mas o cheiro de morte e o grave rosnado por traz daqueles dois pontos brilhantes que eram os olhos me diziam que agora eu não estava só...
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Re: Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

Mensagem por art05 em Qui Ago 31, 2017 6:00 pm

Parte 2 - Queda






O silencio intocado e mórbido finalmente havia sido quebrado, envolto agora na sujeira do entulho, do limo da água que estava no chão, com meus pulmões engasgados pela poeira eu me levanto, minhas costas ardiam mas a dor logo ficava em segundo plano, perante a min estava uma criatura, corpo alongado e esguio, de aparência frágil, mas nem de longe fraco, enquanto emite um rosnado grave misturado com um guincho, dando passadas como um predador que se aproxima da presa ele anda lentamente anda em minha direção, logo descargas elétricas fluem pelo seu corpo, visíveis pelo chiado e pelos arcos voltaicos que correm pelo seu corpo iluminando brevemente suas características físicas, seria essa uma das ditas criaturas, provável, lembro que estava carregando meus equipamentos na cintura, um dos bolsos continha explosivos, explosivos esses cujo a detonação era justamente uma descarga elétrica, teria que ter cuidado redobrado agora, se desejo proteger essa cidade como meu lar não posso me deixar pegar de surpresa, penso enquanto ele se aproxima.






Num rosnado alto ele salta, para cima, muito mais alto que minha cabeça e muito mais rápido que um pensamento possa reagir, respondo com um impulso de força na mente dele, enquanto desvio por baixo, ele atinge a parede, caindo com as pernas para  o lado, rapidamente ele se contorce e levanta, enquanto por esse momento eu passo a mão no meu cinto de utilidades, e pego a arma paralisante, antes que eu possa mirar ele levanta um braço carregado com uma poderosa descarga elétrica e atinge a poça de água onde estávamos, e num salto para cima da pilha de entulho eu me protejo dá poça de aguá eletrificada, essa criatura não era burra, e não perde tempo em correr para cima mais um vez em largas passadas das patas inferiores na poça fumegante, num impulso me jogo para a esquerda, e ele acaba atingindo a outra parede do corredor, passando pelos cabos e tubos pendurados e presos no teto, rapidamente ele se recupera da pancada, mostra os dentes e salta em velocidade para cima preparando uma nova descarga nos braços, eu mal estava de pé ainda mas olho no rosto dele e atinjo ele com mais uma rajada de força mental, isso faz ele perder a concentração e assim uso o movimento e o impulso dele, apoio minhas costas no chão, e com um pé na barriga dele jogo ele por cima de min, ele cai de costas no chão, mas tão rapido quanto caiu ele se levanta, eletricidade corre pelo seu corpo e seus dentes, cravando suas garras no chão a espirrando aguá da poça que tomava o lcorredor agora, a criatura corre desenfreada pelo corredor em minha direção, aponto a arma paralisante, ele salta em alta velocidade, mas em uma discarga rapida de energia a arma dispara, atingindo a criatura em um dos olhos, desvio do caminho e ela passa voando, caindo e rolando no chão, inesperadamente ela se levanta, rosna de dor e em velocidade dispara pela escuridão do corredor na direção onde eu estava indo, fazendo um barulho altíssimo de algo pesado batendo, minhas costa doíam, eu estava sujo e suado, respirando pela boca mas ainda estava vivo, mas longe de estar tranquilo, esse lugar me dava as boas vindas.






Foi um confronto rápido, mas se ele me atingi-se, seria muito mais rápido, os explosivos de uso tático que carrego me deixam em risco contra essas criaturas, mesmo minha forma etérea não me protegeria, já que eletricidade ainda me atinge naquele estado, não posso largar eles aqui nem abandonar esse lugar, um deles me viu e fugiu, logo pode estar de volta, e talvez não só, mas se eu sair, esse lugar... não vou, não posso, não irei abandonar, tenho que ser rapido, me levanto, olhando pros lados com cautela, pensando sobre essa criatura e digerindo o que vi, esse ser parece um hibrido entre humano e rato exatamente como dizem, mais ou menos minha altura, mas esse parecia estar ferido, não sei se a pele dele estava toda ferida por causa de muito uso desse poder deles ou por conta de brigas entre eles, sua cabeça tem uma área para o cérebro do tamanho de uma pessoa normal, mas é alongada como a de um rato, olhos voltados para frente, quatro longos membros com pés e mãos alongados e fisionomia esguia, não sei quem criou, mas com certeza não pensava em simples criaturas de testes, encosto as costas na parede, e lembro das criaturas que já fiz, uma delas feita com tecido artificial, era tão agressiva quanto essa coisa, lembro das noites em claro que o medo de ataques e perigos teóricos me levaram a construção dela, era a definição de força e poder mas quando ficou pronto... deixa isso pra lá.






Depois de recuperar um pouco do folego, me ajeito e sigo em direção para onde a criatura fugiu, depois de uns minutos corredor adentro, logo aquela grande porta surge novamente nas sombras, era o fim desse corredor, a porta parecia entre aberta agora, não abro ela, ao invés disso eu fico em etéreo e passo por ela, do outro lado, parecia uma area grande, parecia uma especie de refeitório, ou deveria, havia algumas mesas antigas quebradas espalhadas pelo lugar, as janelas estavam tampadas com placas de madeira, mas muitas delas estavam quebradas ou se desmanchando, mostrando um pouco do ambiente externo, ou ao menos do breu menos total do lado de fora, caminho reto pelo, lugar rumo ao outro lado, quando no meio das sombras do lado direito do meu campo de vista, algo chama atenção, no chão algo pequeno e metálico, ao olhar mais de perto vejo que era uma capsula deflagrada, parece de algum tipo pistola pelo tamanho, estranho de se encontrar aqui, talvez não, se bem que essa cidadezinha é pacata demais pra esse tipo de crime, deixo ela para traz e sigo pelo salão, até encontrar outra parede, passo por essa parede como os fantasmas desse lugar devem fazer muito, e chego ao que devia ser a cozinha, também em ruínas como todo o lugar que encontrei aqui, olho ao redor e noto marcas de tiros nas paredes agora sendo tomadas por mofo, sigo e passo pela parede oposta a que cruzei, saindo do prédio administrativo, a frente estava a entrada de funcionários para a usina em si, era grande mas parecia diminuta se comparada ao tamanho do complexo, eu estava no que devia ser algum tipo de patio ou área de transição, era um caminho bem marcado por um corredor com grades de ambos os lados e no teto, no caminho uma guarita, ao redor neblina, escuridão e o matagal que cerca esse lugar, por que uma guarita num lugar desses, parece mais uma prisão com tanta segurança, continuo seguindo até entrar na usina, passo pela pesada porta de ferro, como passei pelas paredes, e dentro uma especie de recepção mais simples, sem nada decorativo, apenas paredes velhas, chão alagado, em frente uma porta dupla grande para a usina, ao lado dela uma passagem com escadaria e do outro uma porta trancada com cadeado, e em um canto um elevador, a porta do elevador estava entre aberta, dava para ver que ele não estava mais lá, ao olhar ao redor eu descido ir ver a porta com cadeado, o silencio era total, eu estava saindo da explosão de adrenalina e minhas costas começavam a doer de verdade, da para ouvir o vento balançar o mato ao redor, mas percebo que não escuto o vento, apenas o mato, fico curioso e vou até uma velha janela com uma placa de madeira esburacada, ao olhar através do buraco vejo uma dessas criaturas cruzando lentamente para a direita, sentido usina, vejo saindo do matagal, onde não havia mais a grade que cercava esse lugar, mais uma dessas criaturas, depois outra, depois mais duas, logo mais 4, logo mais oito, logo o lugar estava tomado por dezenas dessas criaturas, centenas, era um grupo enorme que saia do matagal que devia estar infestado dessas coisas, então algo abre a porta pesada de metal, com um rangido que me fez prender a respiração, a criatura que eu havia ferido surge, me encara nos olhos e da um urro, mais grave, era um chamado, atendido por passadas rápidas e pesadas, era como o estouro de um rebanho.






Ela fica parada ali urrando, a porta ao meu lado sofre um baque violento. mas as correntes e o cadeado seguram os numerosos braços que surgem pela abertura, o ruido de rebanho fica mais alto vindo da escada e da porta dupla, o prédio estava cercado e tomado por essas coisas, antes que tomem essa sala, eu corro até o elevador, ou melhor o poço dele, e passo pela porta, fico em forma normal e levitando dentro do poço, dentro dele noto algo, o poço era profundo, muito profundo, muito mais do que devia, pela porta entre aberta da pra ouvir o ruido deles entrando, arrebentando as placas de madeira das janelas e portas, logo eles arrancam as já frágeis portas de elevador, não apenas a desse andar mas dos andares mais altos, e tão rápido eles abrem um espaço nessa porta a minha frente, a criatura que eu havia atingido o olho cruza a abertura como um relâmpago e me atinge com uma ombrada, eu bato as costas na parede, e juntos caímos no abismo.
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Re: Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

Mensagem por art05 em Qua Set 06, 2017 3:00 pm

Parte 3 - Abismo






É uma longa queda, caímos eu e essa criatura, eu girava descontroladamente, desnorteado pela pancada e pela dor que queimava minhas costas e meu corpo, eu não conseguia me concentrar para planar ou reduzir minha velocidade, tudo rodava quando sinto algo me pegar no ar ainda, era a criatura que não havia desistido mesmo em queda ela ainda queria lutar, ele me pega pelo pescoço e pelo braço esquerdo e tenta me jogar contra uma das paredes do poço que passava rapidamente por nós, eu respondo com um um ataque mental, isso o faz me largar, ele rosna e num giro do seu braço ainda me acerta um golpe na cabeça eu chuto ele no peito em resposta, afastando ele, a criatura então tenta disparar uma descarga elétrica, mas antes que me atinja eu consigo reduzir minha velocidade, enquanto a criatura despenca rosnando e iluminando o caminho com sua eletricidade, até que em um súbito ruido alto de pancada extremamente alto que ecoa pelo poço seguido de uma forte onda elétrica que surge e logo desaparece sei que havia terminado, isso me diz que ele havia atingido o fundo, eu não fico feliz em ver uma criatura ser morta assim, mas era ele ou eu, tanto tempo deve ter sido gasto para gerar esse ser, ele teria que ser abatido de uma forma ou de outra, era um risco não apenas para min mas para todos, mas agora penso como vou dar conta dos outros lá em cima, penso olhando para cima, de onde escuto rugidos e ruídos estranhos ecoarem, sabia que não seria bonito, mas eu decido descer no abismo, não faria sentido um poço de elevador dessa profundidade, então rumo a escuridão abaixo eu sigo, vamos ver até onde vai.






Desço com calma pela a escuridão, uso a luz da tela do meu computador portátil para iluminar o caminho, descer lá era como mergulhar nas minhas memorias, nos meu medos, lutar contra essa criatura havia me deixado cansado e ferido, sangue escorria por minha cabeça que latejava de dor, mas também havia aberto mais que um corte em minha testa, havia aberto uma velha cicatriz, o corte em minha alma feita por uma de minhas criações, uma coisa que sempre desejei foi estudar a vida, criar uma maquina do nada e vela funcionar, é algo único, mas quando depois de 2 anos estudando genética e todos tipos de formulas químicas, eu havia descoberto como gerar organismos vivos ativados por programa, organismos gerados em laboratório sem qualquer material genético antecedente, o que o deixava livre de problemas e patologias, feito com músculos artificiais que geravam uma força descomunal, ossos feitos de uma liga metálica caríssima que consegui encontrar, era o organismo perfeito, ver o cérebro artificial ganhar vida foi... Divino, pra dizer o minimo, eramos uma especie poderosa e não precisávamos muito desse tipo de coisa, mas eu queria, eu tinha medo de olhar pelo universo e saber todo tipo de ameaça que poderia estar por ai, eu precisava de algo para me proteger, esse organismo funcionaria como uma unidade semi-alto noma, era mais alto e mais forte do que eu, e pelo menos mais forte do que boa parte do que conhecia, cria-lo foi trabalhoso, noites em claro pensando sobre os perigos que poderiam aterrorizar nossa especie e a min me fizeram criar ele, era poderoso, mas não inteligente, ao menos era o eu achava, era um organismo alto, boa musculatura, de forma humanoide porem com braços ligeiramente mais longos, dois dedos nos pés e quatro nas mãos, possuía pele cinza, fisionomia esguia porem bem definida, no rosto eu havia colocado uma mascara feita de plastico escuro com um largo visor negro pois ele não possuía olhos e sim câmeras e não possuía boca, era mais facil de "abrir" e substituir do que uma cabeça normal, no dia que "liguei" ele eu conectei a cabeça dele ao computador através de um cabo e fiz os testes com os sistemas, ele andava, corria, possuía força menor pois ainda não era seguro liberar toda energia dele, desliguei e uma semana depois eu religuei, e pra minha surpresa, ele falou comigo, algo simples, ele disse digitando mentalmente através do cabo que o conectava ao computador, ele perguntou "//:_o_que_aconteceu", eu fiquei surpreso ao ver aquela mensagem surgir no computador, eu parei e chequei a origem e ele repetiu a pergunta "o_que aconteceu" agora com menos códigos, eu parei novamente, muito surpreso e perguntei  "o por que da duvida"eu disse em voz alta, e ele prontamente respondeu."foi como ter dormido por segundos, e o relógio nessa maquina diz que se passou dias, o que houve comigo?" pelo texto do computador, nesse momento eu me assustei e me afastei, nessa hora eu percebi que ele havia desenvolvido pensamento próprio, e que estava usando o computador para aprender, ele era um organismo artificial mas também uma maquina, seu aprendizado era na velocidade do nosso computador no laboratório, e ele havia percebido que algo havia parado ele, eu respirei fundo e disse com calma me aproximando, "você foi desativado temporariamente, ainda é tudo muito novo para você", ele para minha surpresa que me deixava cada vez mais apreensivo disse "por favor, não faça mais isso, não quero sumir de novo", eu não pensei duas vezes e dei shutdown nele na hora, desativei e larguei ele lá, eu estava assustado, essa coisa havia desenvolvido vida própria, e eu estava aterrorizado pelas questões que isso ia gerar, eu estava perto de ir trabalhar num novo laboratório, eu não poderia mais trabalhar nele, larguei ele no meu laboratório particular e sai, algo que nunca fazia, andei por umas horas pensando sobre aquilo e retornei, quando voltei para casa, tudo estava apagado assim como esse lugar e quando entrei vi tudo destruído, andei pela casa inteira e em uma sala, olhando o por do sol pela janela estava ele parado, em pé, ao lado estava o computador ligado a ele pelo cabo e pelo narrador do software ele perguntou, "Por que fez isso? Por que me desativou? eu não quero sumir de novo, eu não quero morrer"






Ele havia se tornado um pesadelo, um que eu não esperava, lentamente ele caminhou até min, pelo narrador do computador ele continuou "Você vai fazer de novo não vai? Vai me matar? N...", o cabo escapa da nuca dele, ele caminhava de forma determinada, a sala estava revirada com minha mesa e coisas espalhadas pelo chão, peguei uma cadeira e bati na cabeça dele. ele respondeu me jogando no corredor através da parede, eu estava com medo, mas não podia deixar aquilo escapar, levantei então me transformando em minha forma força e parti para cima dele, no momento que minhas mãos atingiram seu pescoço, ele me atingiu com força no figado com um soco, aquilo doia de maneira inacreditável, nem reparei que mordi minha língua e quase arranquei um pedaço dela e quase me fez apagar, mas eu resisti e num ultimo movimento, eu girei a cabeça dele e quebrei seu pescoço, foi como ter matado um filho, foi difícil enterrar ele, mas nada me ensinou tanto sobre os riscos da criação seja de armas ou formas de vida assim sem qualquer cuidado a não ser a necessidade trazida pelo medo o que eles fizeram nesse lugar me lembra muito o que fiz com cada organismo que criei, eu fiz muitas coisas ruins, mas se é pela ciência e por um bem maior, qual seria o problema? Esse lugar me deu algumas respostas.






Saio dessa memoria para o mundo real, vejo que o fundo do poço se aproxima, eu me sinto mal em me lembrar desse ser que criei, e pior ao ver o que restou da criatura que caiu no poço do elevador,  seu olho restante estava fixo, não havia atividade cerebral, mas seu corpo, destroçado e retorcido se contorcia de maneira randômica, seus músculos não tinham coordenação alguma, a mente estava morta, mas o corpo estava vivo e agonizando, noto como havia uma tecido estranho que ligava os músculos, era um tecido neural, uma longa rede de nervos melhorados que funcionava como uma super-extensão do cérebro, isso deve gerar a energia elétrica e provavelmente anulou a descarga paralisante nos nervos simplesmente aumentando a potencia. e também ajudou a anular os espasmos de dor do cérebro a cada ataque mental, mente essa presa num cranio extremamente expeço, ele havia caído no topo do elevador, estava envolto em sangue, órgãos e cabos enferrujados, fico em etéreo e passo através dele para chegar ao lado de dentro do elevador, isso não foi nada, nada agradável, ao cruzar o teto ensanguentado do elevador, eu entro nele, parecia estar preso entre andares, a porta estava entre aberta, pela abertura dava para alguém passar e por ela dava para ver que estava levemente mais claro, no chão, inúmeras capsulas de espingarda calibre 12, alguém havia descido até aqui armado, mas isso parece estar aqui faz tempo, dava para sentir um cheiro forte de metano, algo podre, fezes e urina, que inferno aguardava nesse ultimo andar no subsolo, os botões no elevador não dizem nada sobre a existência dele, como um fantasma eu cruzo a parede e desço até esse corredor que dava para ver pela porta entre aberta, o elevador estava preso, o piso dele estava quase na altura do teto do corredor, saio e fico pairando no corredor, levemente iluminado, por fracas luzes de emergência num tom estranho de verde, o corredor era escuro mais para frente e la no fundo, um ponto com uma luz piscando, outra luz de emergência, no corredor estava como os da usina acima, abandonado e alagado, no chão mais capsulas de .12 e atras de min o elevador, mas quando olho melhor, vejo que o elevador não estava preso exatamente, ele estava travado, algo o impediu de descer até esse andar, embaixo dele, uma pilha de ossos e restos em decomposição dessas criaturas, levo a minha mão a boca (que é coberta pela gola da capa) surpreso e horrorizado pela cena, noto que havia pilhas de ossos pelos cantos das paredes do corredor também, que se estendia pelos cantos nos corredores, o que raios acontecia ou aconteceu aqui...






Decido caminhar como um fantasma pelos corredores escuros e esverdeados, era como caminhar em minha mente, pelos meus medos e cada uma das criaturas que falharam em atingir a perfeição que eu buscava e que tive que destruir quando cheguei perto demais, era o inferno que eu merecia pelo meu mau uso da ciência, mas eu devo proteger essas pessoas, então não ha porque recuar agora, esse era mais largo, caminho por ele, nas paredes, algumas poucas manchas escuras de sangue seco aparecem dando um ar esquisito ao corredor que fedia a fezes e morte e estava alagado por seja la o que seja essa água escura, parecem ser de mãos que se apoiaram, mãos humanas, elas seguem até uma sala, na parede uma larga janela, o vidro estava sujo mas dava para ver o interior destruído e sombrio, entro e em um dos cantos, lotado de capsulas calibre .12 jogada no chão, uma espingarda velha e torta. no outro canto  uma mochila verde-musgo velha abandonada, olho com cuidado ao redor e fico em forma solida, logo com cautela eu mexo na mochila, dentro acho um celular velho quebrado, papeis ilegíveis e o que parece ser uma câmera, ela estava alem de reparos, mas dentro havia um cartão sd, seriamente danificado pela umidade, retiro e coloco no meu pequeno computador, vamos ver o que esse fantasma nos diz, se é que funciona...






Dentro diversos arquivos de texto, muitos corrompidos, e dois arquivos de vídeo, esses estavam danificados, mas depois de um tempo mexendo neles eu acesso o que restou de um deles, a gravação começa com o interior de um carro, muito parecido com o que esta estacionado lá fora, o motorista pega a câmera e mostra a cidade, essa cidadezinha aqui perto, está escuro, amanhecendo no dia em que gravou, então um homem começa a falar;






-Então, essa não lembra Centralia? aquela cidade com as minas de carvão pegando fogo em baixo do subsolo? estou aqui hoje investigando minas parecida com aquelas, mas ao invés de tomadas por fogo essas estão tomadas por algum tipo de criatura... um oficial...






Ele corta a gravação e depois retoma, agora fora da cidade, ele continua, agora com o dia mais claro, o sol acabara de nascer.






-Um oficial me pegou com a câmera na mão, nada mais se não estivesse dirigindo, perguntei a ele sobre casos de criaturas estranhas aqui, e ele me contou sobre o delegado anterior que teria juntado um grupo de caça e ido atras de "monstros verdes e roedores gigantes" na floresta, e ele teria sofrido um acidente, não foram encontrados seus amigos, e nem o carro, mas ele teria sido encontrado vivo, catatônico, puxando o gatilho em vão de sua espingarda sem balas em uma caverna próxima, ele foi levado para um hospital local, contou uma historia maluca sobre ratos gigantes, e que eles teriam pego os amigos dele, se foi real ou não eu não sei, mas ele chegou em casa e tentou enfiar o hamster da filha no triturador da cozinha, mas a esposa salvou o bicho nocauteando o homem com um martelo, ele gritava "ELES VÃO NOS DEVORAR!!! ESTÃO POR TODOS OS LADOS, MATEM TODOS, MATEM TODOS!!!" e hoje ele esta num manicômio, essa e outras historias bizarras, de pessoas e animais que desaparecem, acharam até um gato esmagado no meio do corpo com uma marca de pegada animal ou alguma coisa com patas em um lugar próximo daqui, e hoje estamos aqui perto da usina, centro desses avistamentos...






 Gravação corta, pauso o vídeo e escuto passos e garras arranhando o chão, eu fico em etéreo e passo para a sala da frente  no escuro e continuo a ver o vídeo, no vídeo agora já dentro de recepção, a placa de madeira na porta estava afastada, por ela o sol entrava e iluminava o lugar, ele segue explorando o prédio em silencio, passando quase pelos mesmos lugares onde passei com calma, até chegar no corredor de grade que liga o prédio a usina e decide parar para filmar o matagal, ele se esconde na guarita e filma escondido, diz ele que viu algo estranho no mato, depois ele decide sair e seguir para a usina, em um dos escritorios acima da escadaria perto desse maldito elevador, ele filma papeis retirados de uma velha gaveta de metal, papeis que dizem sobre recebimento de carga pelo portão errado, era um memorando e dizia literalmente "não entregar lixo biológico pela b29", nome do portão dos fundos ao que parece, ele diz;






-Por que uma usina termo-nuclear receberia entregas de lixo biológico, semanas atrás eu descobri que as minas de carvão abaixo eram interligadas e que um dos pontos de ligação entre elas era aqui, não s... tem alguém no prédio...






Ele corta novamente,  depois a gravação retorna, agora a câmera balançava violentamente, ele ofegava, estava cansado, estava correndo, ele repetia "merda, merda, merda", sem parar, então num tom assustado depois de um tempo ele volta;






-Merda, merda, droga, ah ah... alguém atirou em min, pelas costas, pensei em revidar mas seja lá quem foi quase me acertou de novo, resolvi fugir, entrei correndo no elevador por engano ai tentei ir para um andar mais alto e apertei qualquer merda de botão, ai aquela porra desceu, o que não devia pois nada ali diz que tem subsolo, demorou... aah droga, demorou mas ele chegou no fundo, to tentando abrir essa porra de porta agora, QUE PORRA.....






Algo bate na porta com força e abre ela, ele grita desesperadamente, então algo o puxa pela abertura da porta com força e ele é arrastado pelos corredores gritando, pelo que parece, gravação continua por mais alguns minutos antes da bateria acabar, nesse tempo ele grita de dor, parece ter atirado com alguma coisa e quebrado outra, e logo a voz dele some, a gravação termina, essa pilha de corpos não estava ali embaixo do elevador ainda e ele ainda estava funcional, e alguém atirou nele, que lugar, tento refletir sobre o que vi, e ainda havia mais uma gravação a ver, mas escuto passadas fora do meu esconderijo, era um deles, outra dessas criaturas, ele parece estar vindo em direção a esta porta, penso em fugir, mas isso foi tudo que fiz até agora, deixo de lado meus explosivos, me transformo na forma força e espero, espero até escutar o nariz daquela coisa farejar por baixo da porta.






E com um chute na porta ela quebra lançando o que sobrou dela e a criatura contra a parede oposta do corredor, salto para cima, com as mãos no pescoço dela, ela revida com uma forte descarga elétrica, aquilo faz me retorcer, mas não solto ela, pego a criatura pelas pernas levanto ela no ar e bato ela com as costas no chão, a criatura perde o ar, mas não a força e me acerta com um chute na boca do estomago, caio no chão alagado, a criatura se levanta, eu cravo minha perna no chão e salto para cima dela de novo, ela descarrega um choque poderoso, eu sinto muito mais com o corpo molhado, mas resisto a dor angustiante e seguro ela pelo pescoço, ela me arranha como se suas garras fossem adagas, enquanto eu tento esmagar o pescoço dela ela rosna, grita, me corta, mas eu tento resistir, num súbito movimento o pescoço dela cede enquanto giro a cabeça dela para traz, largo ela rapidamente mas não consigo saltar rapidamente para escapar da onda de choque que o corpo dela em colapso libera como ultimo golpe, o choque me atinge com força, muita força, sinto meus pensamentos se esvaírem, eu estava muito ferido, levanto e cambaleando sigo até a sala onde havia deixado os explosivos, passo pelo buraco da porta e caio, eu estava sem forças e muito ferido, meu corpo ardia e não respondia direito, mais uma delas havia caído, mas a guerra acabara de começar, deitado no chão, não demoro a ouvir mais passos e sons de garras explorando o corredor, eu estava no chão sem folego, ferido, e agora encurralado, era eu um rato acuado agora.
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Re: Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

Mensagem por art05 em Qua Set 13, 2017 9:17 pm

Monstro - final






Havia me arrastado para me encostar em uma parede, meu corpo estava cortado e sangrando, não muito, mas claramente estava, as garras dele haviam me cortado no peito, barriga, braços e rosto, ainda estava atordoado com os eletrochoques e minhas costas doíam, mas não podia parar, eu estava quase esgotado, respirava pela boca, respirar aquele ar pútrido do lugar devia ser como enfiar a boca numa privada publica que não davam descarga a meses e beber o que estava lá, como essas coisas aguentavam viver num lugar daqueles, de qualquer forma vim para dar um fim nesse problema, e não uma vida melhor para eles, penso até que os som de passadas na poça de água do corredor anunciam que não estou só, eu estava esgotado, seria difícil lutar, prendo minha respiração quando escuto o ser atrás da parede começar a farejar, da pra escutar o ar entrando e saindo de seus pulmões em velocidade, ele solta uma grunhido baixo, pelas passadas ele parece rodar o corpo da outra criatura no corredor, minha respiração está presa, meu coração ainda estava acelerado, ele, a criatura que veio investigar, parece suspeitar de algo, ele emite um grunhido um pouco mais alto, logo escuto ele voltar a andar, com mais cautela, segue na direção dessa sala.






Sem virar minha cabeça, olho pelo canto do olho a sombra dele surgir pelo buraco na porta, a sala estava escura e uma nojenta luz verde quase apagada piscava e iluminava fracamente o corredor, a luz passava com a sombra pelo buraco que fiz na porta ao arrebentar ela, vejo ele colocar a fuça, ele cheira uma, duas, três, para, olha, e segue pelo corredor sentido elevador, ainda não solto a respiração, então ele retorna, andando calmamente, escuto as passadas dele passarem por traz da parede onde estou e sumirem na escuridão do lugar, estava seguro por hora ao menos, ele não deve ter sentido meu cheiro pois estou encharcado com essa água imunda, de qualquer forma ainda posso tentar algo, o cérebro deles não funciona como o das outras criaturas, pelo que percebi, parece gerar descargas muito mais fortes então um ataque mental não surte muito efeito, seja por um bloqueio na dor no momento de ação ou frequência muito alta de sinapses, vamos descobrir se essa minha teoria é verdade quando a hora chegar, levanto com calma, e ando até a porta, estendo minha cabeça pela porta e vejo a criatura quase sumindo nas sombras, depois de uns minutos volto minha atenção para a outra parte da gravação no cartão SD, mas o arquivo está muito danificado, mais do que imaginava, levaria semanas e equipamento próprio para recuperar de maneira própria, mas recupero um pouco, na gravação sem áudio, havia papeis documentos, e depois um homem de quase uns 30 anos explicando algo, não da pra ouvir, mas logo ele mostra uma imagem, a foto do mapa da cidadezinha aqui perto, e ao redor as florestas que cercam, então ele joga por cima do mapa um tipo de papel transparente, e marca 5 círculos com caneta vermelha ao redor da cidade, nas florestas e perto da usina, faz um par de "X" em dois deles ao leste, e desenha riscas entre eles, logo ele parece voltar a explicar algo, nesse momento eu pauso a gravação e retorno pro mapa com os círculos desenhados, olho bem e vejo que nos pontos, em pelo menos 3 deles eu sabia que tinha entradas de minas e cavernas, um deles com um "X" era uma que estava bloqueada, entre os círculos ele faz diversas linhas, percebo que são tuneis, e eles cortam toda a cidade e parte dessa usina, ele descobriu que seja lá o que vive a aqui possui uma extensa rede de tuneis, perigosos, mas uteis pra se deslocar sem ser visto, mas por que sairiam pelas cavernas a não ser que... só indo ver, tinha um túnel de elevador e estava bloqueado, mas não devia ser o único...






Levanto em minha forma original, e observo o escuro do lugar, a visão deles era mais aguçada que a minha, eu não poderia andar despreocupado, então me transformo numa serpente, ainda estava ferido, mas o deslocar silencioso e baixíssima estatura me ajudaria  a fugir do campo alto de visão deles, os movimentos rápidos de um roedor chamariam muita atenção, é o que tenho, e assim sigo rastejando pelo chão alagado, o deslocamento é muito devagar, e não há muito o que olhar, minutos rastejando e tudo aqui parece estar  em ruínas por causa da umidade, as paredes no entanto mudaram, agora parecem muito rachadas  e mais baixas que as que estão perto do elevador por onde vim, esse lugar esta a um passo de ser soterrado, tudo esta tomado por mofo, as paredes estão escuras e arqueadas, e no fundo do corredor, começo a ouvir um estranho ruido, muitos em conjunto, algo contra as pedras ao que parece, difícil discernir, cobras não tem ouvidos, vou me rastejando pelo escuro, passando por salas, de cirurgia, dormitórios, corredores bloqueados, e até encubadoras abandonadas nos corredores, que tipo de experiencia faziam aqui? Com o tempo o barulho começa a ficar mais alto, mas ainda sim impossível de descrever, do fundo do corredor uma estranha luz em tom amarelado surge por traz de uma larga porta dupla entre aberta lá longe no fim do corredor, eu rastejo e parece que foi uma boa escolha, pois o teto esta muito mais baixo, diversos corredores aparecem bloqueados no caminho, rastejo com cautela, passando por pilhas de entulho no chão, até que algumas partes começam a me arranhar no chão, tento ignorar até que resolvo olhar melhor, retorno a minha forma original, e uso a luz da tela do computador, quando então a tela piscando por causa da bateria que se esgotava, me mostra sobre o que rastejava, ossos, muitos ossos, costelas crânios quebrados, estranhamente, nenhum deles com os dentes da frente ou garras em algumas patas, o chão estava forrado por um tapete de ossos e carcaças velhas, o cheiro não estava muito melhor do que já era o natural desse andar, nauseante pra dizer o minimo, isso me lembra de todos os experimentos que fiz com formas de viada que deram errado, ou certo, eu rastejava como meu conhecimento rastejava sobre cada um dos cadáveres que ao sacrificar fiz "experimentos falhos", pela frente estava a porta não muito longe, em uma pancada ela abre, o barulho flui para fora junto com som de algo sendo jogado, e logo com um rangido lento ela fecha, deixando o som de algo respirando pesadamente, cada vez mais lentamente, fazia o som angustiante de como se busca-se o ar mas não consegui-se, eu me aproximo lentamente e de olhar pálido e fixo, uma dessas criaturas agonizava, suas patas dianteiras estavam sujas de terra, carvão, e sangue, pareciam gastas até os ossos, assim como seus dentes de roedor, gastos até a gengiva, aquilo me corta o coração mas não posso fazer nada, passo por ela e sigo até a porta, e através da abertura eu vejo o que não queria imaginar.






Em um grande galpão agora convertido em caverna iluminado por luzes de emergência amareladas, fracas mais ainda funcionando, estavam centenas dessas coisas, é difícil até de dizer quantas, as paredes haviam sido escavadas, dava para ver pelas muitas marcas de garras, as criaturas menores como essa que agonizou no corredor entravam e saiam de uma larga abertura no teto de onde um ruido ensurdecedor de garras batendo contra as pedras vinha, as que iam não pareciam muito confiantes, as que saiam voltavam encharcadas de lama e sangue, muito feridas nem se importavam com cadáveres cobertos de larvas e fezes no chão, elas tinham pressa, escavavam desesperadamente, vigiadas por outras criaturas iguais a elas, só que maiores e mais fortes, enquanto isso uma ou outra passa por uma abertura minuscula na parede esquerda carregando o que restou de uma carcaça de animal, devia ser uma das saídas, se não o único contato com o mundo que tinham, e também a unica entrada de comida, mas por que todas não saem por ali, penso, quando do buraco grande no teto, diversas saem correndo ou caem junto com pedras durante um grande tremor, havia ocorrido um deslizamento, elas ficam paradas, rugindo exitantes, quando um grave rugido, como um trovão explode e ecoa pelo lugar quase gerando outro tremor, vinha de uma cavidade grande e escura na parede, elas se desesperam com o comando e retornam a escavar, essas criaturas não eram estupidas, tinham a quem ou ao que  temer, e ainda mais rápido retornam a cavar o buraco no teto mesmo as feridas ajudam, seja lá o que fosse eu não devia deixar aquela coisa sair, mas eu era um só, e abandonar essas coisas poderia significar um risco inimaginável para a cidade eu tinha um plano, baixo, mas era o que tinha que ser feito.






Observo o desespero dessas criaturas, e olhando uma delas que se preparava para entrar no buraco no teto eu me concentro e controlo sua mente, faço ela se virar e arranhar a cara de uma dessas criaturas maiores, nessa hora eu solto a mente dela, a criatura maior retorna com uma forte pancada na menor fazendo ela se retorcer e cair, enquanto isso eu me concentro e possuo outra maior, e a faço atacar essa criatura maior de antes, as duas começam a trocar golpes de garras, enquanto isso faço uma das menores se jogar em cima da briga, logo outras se unem e a briga se espalha como fogo, fogo é um péssimo exemplo, a briga entre eles começa a se generalizar, a situação era tensa entre elas, agora a válvula tinha sido aberta, rugidos, sons de pancadas e ossos quebrando, elas se jogavam nas paredes, umas nas outras, algumas fugiram pela porta que observo, tive que me afastar da porta para que não me vissem, essas que corriam pela porta nem olhavam para traz, simplesmente sumiam na escuridão, enquanto suas colegas se matam, uma criatura maior corta a garganta de uma menor, enquanto outra menor esmaga a cabeça de outra maior com uma pedra, o foco deles era a briga, não os feridos, retorcidos e retalhados que se espalhavam pelo chão em seus últimos suspiros em meio ao corpos de muitos outros de outras épocas, até que um forte rugido explode mais uma vez, mas não foi seguido de silencio, as criaturas ainda brigavam entre elas, todos contra todos, eu estava gelado de ouvir e ver tudo aquilo, mas nada foi igual ao escutar as pesadas passadas serem tão altas quanto toda aquela fuzarca,  e da escuridão de uma caverna, surge um ser.






Sua cabeça lembrava a de um roedor, era longa, num tom escuro de vermelho, possuía 6 orifícios, 3 de cada lado mas apenas dois com olhos na cabeça, que parecia dura como ferro, seus dentes eram grandes e afiados num estranho tom escuro de cinza e nem de longe lembravam de roedores, suas patas possuíam 4 dedos por onde ossos saiam como garras pelas pontas, seus membros eram musculosos, seu corpo escuro e coberto de cicatrizes era alongado e sem pelos, em seu ombro direito um numero e uma letra em cinza "s²-13", ele é fácil do tamanho de um ônibus, e alem de sua pesada respiração era possível ouvir um estranho ruido, como um chiado constante, algumas criaturas correm pela porta ou pela abertura diminuta da parede ao perceber que ele chegava, as que não ficam presas pelo menos, enquanto outras continuavam a briga ele se ergue quase batendo a cabeça no teto, e olha a confusão, muitas das criaturas, param, outras poucas continuam a briga, até que o ruido de chiado fica um pouco mais alto, ele respira fundo e solta um rugido alto, tão alto que um zumbido ecoa pelos meus ouvidos quando ele termina, eu estava escondido atrás da porta, mas nessa hora eu não queria estar nesse planeta, balanço minha cabeça desnorteado pelo som, quando retorno a olhar pela abertura, impressionado com aquilo, noto que ele parece estar procurando algo em meio a confusão, ele logo se vira para a porta, eu esbugalho os olhos pensando, por que fui olhar, mas ele logo se vira para a briga que continuava, em seu movimento de giro ele ergue sua pesada pata dianteira e atinge um grupo de 5 que brigava com fúria a sua esquerda, desmontando seus corpos e espalhando sangue pelo lugar, logo ele se foca em outros 3 que pararam a briga com a pancada e em uma mordida sua bocarra pega 2 que gritavam como nunca mais quero ouvir enquanto ele os mastigava, essa coisa era cria de uma mente como a minha, só um pesadelo daria a ideia de um ser desses, essas criaturas ja eram perigosas, esse ser, era muito mais, e eu não fazia ideia do que fazer, enquanto ele parava a briga na base da força, eu deixo a porta e me volto pro corredor, tenho que pensar.






Os passos teriam que ser muito bem calculados, eu estava só ali, se eu tentar manipular mais a briga talvez, depois disso eu me viro para a porta, eu vejo a briga deles, eram poucos que continuavam, ele, o monstruoso S13 estava parado no centro em meio a multidão, me concentro em uma das criaturas menores, controlo sua mente e o faço se  jogar  contra as costas de S13, o macho alfa gigante deles, mas ele se vira rápido e arranca com uma das patas a diminuta criatura de suas costas, outros começam a seguir e se jogar contra S2, a coragem dessas coisas me surpreende, elas se jogam com violência e ele as rebate, mas logo o fio de esperança de todas é cortado, ele respira fundo e explode um rugido muito mais alto e mais forte que tudo que eu já ouvi, e joga a criatura que tinha pego de suas costas na parede perto da porta, ela explode em pedaços, eu me afasto da porta, mas elas não desistem, e mesmo perante a derrota certa elas se jogam nele, tentam morder e arranhar, ele se solta de todas com pancadas e mordidas, era incrível ver a revolta das criaturas contra a monstruosidade que regia esse lugar infernal, tão incrível que não notei uma sendo jogada contra a porta, a porta quebra sobre min enquanto o corpo da criatura me acerta com força, eu caio tonto, quando percebo a confusão fica um pouco mais silenciosa, estava tonto ainda quando sinto algo puxar-me pela perna, me arrasta pelo chão da caverna e me levanta de cabeça para baixo, era S13, ele me viu caído, me pegou e me levantou como uma presa diminuta, parecia um desses gatos de desenho animado quando pega o rato e encara a pobre criatura com fome e raiva, a confusão para, escuto meu coração bater violentamente querendo saltar pela boca, era morrer lutando ou morrer, ele vira a cabeça de lado para me olhar, eu retorno a encarada, ele solta um rosnado baixo e me joga no ar, tão rápido ele me joga, ele ensaia um salto para me pegar com sua bocarra enquanto eu caia, mas antes que consiga eu fico em etéreo e seus dentes passam por min, fico planando enquanto ele percebe que não havia nada em sua boca escura, ele olha ao redor e logo me percebe voando, acima de sua cabeça, olhando aquilo eu digo olhando seus olhos.






-Vai precisar muito mais que isso.






Ele responde com um forte rosnado, ele havia entendido para minha surpresa, logo os buracos ao redor de seus olhos brilham e faíscas de estática azul cobrem seu corpo bestial, olho para o buraco escuro que escavavam no teto que está acima de min era agora ou nunca, olho para S13 e sigo voando pelo buraco, eles não haviam terminado, logo chego na parte que não haviam escavado, dava para ver marcas de garras, sangue e garras e dentes presos, eles estavam desesperados escavando, fico olhando aquilo quando um relâmpago detona uma pedra pendurada a minha direita, relâmpago vindo de baixo, era S13 que não havia desistido, e começava a cravar suas garras nas paredes desse poço, ele estava furioso, eu estava em etéreo antes que ele solte outra descarga elétrica, eu passo pelo teto arranhado desse buraco inacabado, mas consigo escutar ele subindo, suas garras cravando na parede para levantar todo aquele peso faziam o lugar todo tremer, eu estava escondido em etéreo entre as pedras, o ar começava me faltar, mas logo elas começam a ceder, e pancadas ficavam ainda mais fortes, elas vem de baixo, ele estava escavando, e rápido, enquanto eu sigo subindo, enquanto o maldito continua escavando, nesse tempo vejo a terra e muitas pedras escuras passar por min rápido, era outro deslizamento só que com parte do carvão abundante nessa região, mas o deslizamento no máximo parou ele por pouco tempo pois ainda escuto a fera escalando, descido sair do subsolo, sigo para cima e depois de uns minutos, chego no estacionamento atras da usina onde o caminhão abandonado estava, eu havia saído no centro do estacionamento, primeira coisa foi que fiz foi respirar fundo, sentir ar limpo novamente nos pulmões, agora o chão começava a afundar enquanto eu respirava de boca aberta tentando recuperar o folego, nada para essa fera? Nem mesmo o destino de todos em que ele mandava? Penso enquanto olho o chão do estacionamento afundar mais e mais, enquanto escuto fortes pancadas cada vez mais perto, quando de súbito ele para, eu estava em pé agora, me afasto rapidamente e fico num lugar longe da cratera gigantesca no chão, havia ele desistido? 






Penso, no silencio da noite que ia embora com a alvorada que se aproximava mas logo o chão desaparece com um forte ruido de desabamento seguido de silencio, mas logo vem outro, depois mais outro ruido ainda mais alto, depois outro ainda mais alto e logo a cratera fumegante explode e em meio a intoxicante fumaça e escombros,  lá embaixo 2 pares de três luzes na cabeça de uma silhueta soltando fumaça da cratera de carvão que começava a queimar mostrava que a fera havia escapado, S13 estava vivo e furioso, ele respirava agressivamente pela boca, eu estava no topo da cratera que ocupava quase todo o estacionamento atrás da usina, olhando sem reação, quando das sombras e da fumaça um dos postes de iluminação que haviam caído na cratera passa voando ao lado de minha cabeça, não acertou, mas me trouxe de volta realidade, não perco tempo e salto para traz, logo escuto passadas pesadíssimas e velozes e com um golpe de sua pata direita fechada como um punho ele salta sobre onde eu estava, ele levanta a pata, ele sabia que havia me errado e me encara, virando de lado sua cabeça para me olhar, eu solto os explosivos em baixo do caminhão que esta atrás de min, e me transformo, minha forma força a qual sempre recorro, coberto de muculos com membros mais longos e na face uma mascara feita como se fosse de ossos, ele não se incomoda e parte para cima, duas, 4, 8 passadas rápidas ele dá, e com força descomunal com sua pata dianteira direita ele esmaga o chão onde eu estava, mas antes que me acertasse, eu salto para sua esquerda, ele havia afundado sua pata direita no chão, eu tinha uma chance de atacar, mas ele usa sua força e arranca sua pata, levantando chão em sob meus pés, que explode numa nuvem de terra enquanto eu saio voando, caio de costas ralando elas no chão, doíam de maneira absurda, mas não posso parar, cravo minhas mãos e pés no chão e paro. 






Olho para cima e vejo ele em pleno salto, antes que me atinja eu salto para traz, ele cai como uma bomba no chão, eu pouso com dificuldade, apoiado sobre o joelho direito, meu corpo doía, ardia, feridas que estavam se fechando reabriram, era como se me trespassassem com espadas diversas veze, estava coberto de sangue e suor e a sujeira daquela água imunda, o matagal estava atrás de uma grade atras de min, olho para S13 enquanto ele levanta com os olhos brilhando por trás da nuvem de escombros com um rosnado, iluminado por arcos voltaicos em suas costas, eu espero até o ultimo momento e num piscar de olhos ele surge diante de minha face, podia me alcançar com seus dentes, mas seu braço esquerdo esticado para traz envolto em eletricidade mostrava o golpe que preparava, tudo que consigo fazer e usar minha força jogando toda ela para os braços para me defender, respiro fundo e antes que termine de me preparar ele me acerta, o golpe me acerta com força esmagadora, meu corpo acerta a grade e a derruba enquanto eu passo voando caindo em meio ao matagal, parando de costas em uma pedra, foi por um triz, eu estava quase morto, havia conseguido me defender mas por um milagre meus braços não quebram, eu mal respirava direito, eu precisava levantar, levantar e lutar, quando me apoio no chão, algo me pega pelo braço esquerdo e me segura no chão, era uma das criaturas que havia visto rondando a fabrica e estavam atras de min antes, ela me segura com força, logo outra me segura pela perna, seguida de outra e mais outra, logo eu estava preso no chão, elas rosnam, como se gritassem "esta aqui, está aqui!!!", logo seus chamados são respondidos por um forte rosnado, vejo os braços de S13 surgirem por cima do mato que cercava as criaturas e eu, ele levanta eles e os bate no chão liberando um potente descarga que explode como um relâmpago, mas ao invés de me atingir ele atinge o matagal que começa a pegar fogo, as chamas se aproximam entre as plantas, estávamos eu e as criaturas envoltas em fumaça e faíscas, o crepitar do fogo ficava mais alto e mais alto, eu começo a me debater violentamente, mas as criaturas não soltam, o desespero me toma, eu precisava fazer algo, eu grito e começo a me debater  mais forte...






-ME SOLTEM, ME SOLTEM!!!!... 






Eu gritava em desespero, enquanto eles me encaravam mostrando os dentes e os olhos sem vida, respiro descontroladamente e num surto de adrenalina eu bato um que me segurava pelo braço direito contra outro que segurava minha perna esquerda, logo consigo me soltar, volto a forma normal e saio voando do lugar em chamas em velocidade, mas caio logo em seguida sem forças, tudo doía e o mundo rodava, mas ainda consigo assumir minha forma força de novo, e levanto cambaleando, eu não sabia onde ele estava, mas sabia que deveria me preparar, mas antes que eu levante a cabeça, algo me acerta com força nas costas, eu saio quicando no chão, parando perto do velho caminhão cheio de vigas velhas e enferrujadas, tento levantar, quando algo me pega e me joga com força nas vigas do caminhão, mas dor que cinto supera todas as outras quando um dos pedaços de ferro passa pelo meu ombro direito na hora que caio nas vigas, doía como o inferno apesar de ser um pedaço do tamanho de uma faca, caio no chão em meio as vigas, que caem fazendo um barulho altíssimo, seguido apenas pelas passadas da criatura a frente, o matagal queimava, e as chamas o iluminavam, era maior do que eu poderia dar conta, tudo que me resta é me arrastar, me arrasto um pouco e pegos os explosivos que estavam próximos embaixo desse caminhão, amarro na ponta de uma viga, enquanto escuto suas passadas acelerarem, quando as passadas param, ele havia pulado, era agora, tudo que escuto são as batidas de meu coração e minha respiração, quando pego o pedaço da viga levanto ela apoiando uma parte no chão com os explosivos na outra ponta, ele percebe a viga como uma lança no ultimo segundo em queda, mas é tarde, a viga acerta ele no peito do lado direito, fazendo um buraco, um dos explosivos entra em seu peito e é detonado pela eletricidade ativando uma reação em cadeia com os outros, a explosão abre um buraco enorme em seu peito enquanto ele urra de dor levantando a cabeça, logo ele cai no chão de costas ao meu lado a explosão não era forte o suficiente para me acerta aquela distancia mas deixarão meus ouvidos com zumbido por dias, ele ainda estava vivo, eu pego um ultimo folego e salto sobre sua cabeça, cravo minhas mãos em seus olhos e faço força, muita força, quando sinto meus músculos quererem romper, seu cranio cede e arranco a parte dianteira de sua cabeça, caio esgotado atras dele, ele ruge de dor mas não levanta e aos poucos começa a agonizar,  eu levanto com a mão no pedaço de ferro que está preso em meu ombro, as criaturas da fabrica que estavam fora do matagal em chamas me cercam, eu estava esgotado, mas o mestre deles estava morto.






Olho cada uma nos olhos, respiro, engulo saliva, e num puxão arranco o pedaço de ferro do ombros, solto um grito grave, gutural, de dor e de raiva, as criaturas param de se aproximar, se olham e se afastam, para minha surpresa, respiro pela boca de maneira agressiva, tento andar mas acabo caindo sentado no chão, remoendo o que havia acontecido, logo o fogo no mato úmido e frio começa a se apagar, mas eu estava em alerta, ferido, sangrando, desnorteado, fedendo a esgoto, mas alerta, e lá ao lado do corpo de S13 fico sentado, pensando, sobre ele, eu já vi uma criatura antes assim, não roedor, mas que gerava energia, mas onde?






Leva 2 horas mas consigo lembrar, agora com um pouco mais de energia eu levanto e olho o ferimento no peito de S13, vejo que ele tinha três corações apesar de só um estar intacto, mas entre os pulmões que acho algo estranhamente familiar, um órgão especial preso a um núcleo antigo de força, que mostrava claros sinais de rejeição do corpo mas funcionava parcialmente, estava danificado, mas eu reconheço, e muito bem, EU havia desenvolvido essa tecnologia anos atras, isso que dava força para o ser que criei, cada um deles e tive de matar cada um deles... e enterrar... não não pode ser, isso é impossível, me afasto e sigo andando cambaleando sob a noite que ia embora, eu tinha uma luta longa ainda, mas agora eu precisava me recuperar.






Já faz um mês desde esse incidente, estou sentado sobre uma colina observando a noite estrelada, como o esperado, os casos de aparições desses ratos mutantes teve um pequeno aumento, nos dias logo após o abate do grande macho alfa deles, a unica coisa que os prendia na usina mas agora apresenta uma baixa vertiginosa, não é difícil de achar eles a noite, eles soltam energia e brilham no escuro quando carregados, todos possuem versões menores do núcleo de S-13 para gerar energia, já venho caçando eles a dias, mas apesar de aos poucos eles estarem sumindo, ainda restam muitas duvidas, um caçador relatou num bar que viu um grande caminhão seguido de diversas SUVs escuras saindo da usina, 8 horas depois de eu ter saído de lá, eu não achei o corpo do bravo jornalista que invadiu a fabrica antes de min, os documentos que ele filmou e salvou mostram que tem gente grande investindo nesse projeto, mas que a usina havia sido declarada perigosa quando essas criaturas escaparam de uma carga que deveria ter sido incinerada, algo parecido havia ocorrido em Centralia, mas ali eles tiveram que incendiar o complexo subterrâneo inteiro, o que não conseguiram com o complexo embaixo da usina , também não achei a arma que disparou aquela capsula na cozinha, nem federais tem direito de posse daquele calibre, tem gente grande envolvida, mas esse monstro, essas criaturas me ensinaram algo, como diz uma frase que li...




Não tenha horror do monstro a sua frente, tenha horror do que ele passou para ficar daquele jeito...






Quanto a S²-13, descobri que "S2" em seu ombro significa um tipo de solenoide especial, unido a um núcleo ou fonte de energia ele amplifica a potencia e durabilidade da corrente, eles se basearam no meu projeto, era culpa minha a existência dessas coisas, no fundo só tinha um único monstro ali embaixo o tempo todo, mas agora como eles conseguiram, só conheço um nome que pode ter achado, o mesmo nome de quem me arranjava peças de fora do sistema solar, S'har, se nossos caminhos vão se cruzar de novo, espero que não, mas agora talvez seja inevitável, agora eu tenho muito mais responsabilidade, dar fim nessas coisas, e impedir que a ignorância domine sobre o conhecimento e a logica da forma como me dominou, levanto olho as estrelas uma ultima vez...






Eu não sei como vou ganhar essa guerra, mas sei que não vou perde-la, seja contra quem ou que for.






Fim.
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Re: Justiceiro Solitário – Lar, obscuro lar

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